Hérnia de disco lombar
A causa mais comum da dor que desce pela perna em adultos jovens e de meia-idade. Assusta pelo nome, mas a maior parte dos casos melhora sem cirurgia — desde que o diagnóstico esteja certo e o tratamento comece cedo.

À esquerda, o mapa da coluna com a região cervical e lombar em destaque. À direita, um corte sagital da coluna lombar: dá para ver os discos entre as vértebras e o canal por onde passam os nervos.
Emergência. Perda de força na perna ou no braço que apareceu de repente, dormência entre as pernas, ou dificuldade para segurar a urina. Vá agora a um pronto-socorro — não espere consulta marcada nem resposta de mensagem.
Dor que desce pela perna
Passa pela nádega, pela coxa e pode chegar ao pé. Costuma incomodar mais do que a própria dor lombar.
Piora ao sentar e ao tossir
Sentar aumenta a pressão dentro do disco. Tossir e espirrar dão aquele choque característico.
Formigamento ou dormência
Numa faixa específica da perna ou do pé — e essa faixa aponta qual raiz nervosa está comprimida.
Dificuldade para esticar a perna
Deitado, levantar a perna esticada reproduz a dor. É um dos testes que eu faço na consulta.
Fraqueza no pé ou no tornozelo
Tropeçar, chinelo que escapa, dificuldade de ficar na ponta do pé. Isso muda a conduta e não deve esperar.
Alívio ao deitar ou ao andar
O padrão de alívio informa tanto quanto o de dor, e ajuda a separar hérnia de estenose de canal.
Protrusão
O núcleo se desloca e empurra o anel na direção da raiz nervosa, sem rompê-lo. A dor já pode descer pela perna, mas é o cenário que mais responde ao tratamento conservador.
Extrusão
O material rompe o anel e passa a comprimir a raiz diretamente. Paradoxalmente, é o tipo que o corpo mais costuma reabsorver sozinho — e também o que mais cursa com perda de força.
Sequestro
Um pedaço se desprende do disco e fica solto no canal. Costuma doer muito no início e é o cenário em que a avaliação precisa ser rápida, pela chance de compressão importante.
A barra mostra o quanto o material do disco saiu do lugar — não o quanto dói. Hérnia grande pode doer pouco, e hérnia pequena bem posicionada sobre a raiz pode ser incapacitante. Quem manda é o exame clínico.
Controlar a dor e manter você em movimento
Analgesia bem ajustada, fisioterapia orientada e retorno gradual à atividade. Repouso absoluto prolongado atrasa a recuperação — o corpo precisa se mexer para reabsorver o material do disco.
Bloqueio guiado por imagem na raiz certa
Além de aliviar, o bloqueio confirma qual raiz é a responsável pela dor. É uma informação que vale ouro se a cirurgia entrar em pauta depois.
Microdiscectomia: retirar o fragmento que comprime
Incisão pequena, microscópio, musculatura preservada. Retira-se o fragmento que está sobre a raiz — e só ele. Na cauda equina, entra de imediato.

O que decide a cirurgia
Não é o tamanho da hérnia no laudo. É perda de força, dor que não cede ao tratamento bem feito, e a coerência entre o que a imagem mostra e o que o exame físico encontra.
Tempo de internação e de retorno às atividades variam muito com o procedimento e com o seu caso. Na consulta eu explico o prazo real do seu caso — inclusive quando ele for longo.
Uma parte das hérnias é reabsorvida pelo próprio corpo com o tempo, e curiosamente as maiores costumam ter mais chance disso. Isso não significa esperar indefinidamente: o que define quanto vale esperar é a evolução dos seus sintomas, não a imagem.
Na maioria dos casos sim, com a progressão certa. O que muda é o quê e quando: alguns movimentos entram cedo, outros pedem meses. Isso é discutido caso a caso, considerando a sua atividade.
A recidiva existe e não significa que a cirurgia foi malfeita — o disco operado continua sendo um disco desgastado. Se for o seu caso, vale trazer o relatório da cirurgia anterior e as imagens de antes e depois dela.
Na maior parte dos casos, não. A urgência real é a síndrome da cauda equina e a perda de força progressiva. Fora esses cenários, há tempo para tratar, observar a evolução e decidir com calma.
Marque uma avaliação e traga os exames que já tem. Se não tiver nenhum, venha assim mesmo — o exame clínico é o que define qual imagem vale a pena pedir.
O WhatsApp serve para marcar consulta. Ele não é canal de urgência e não é atendido fora do horário comercial — em emergência, procure um pronto-socorro.