Hérnia de disco lombar

A causa mais comum da dor que desce pela perna em adultos jovens e de meia-idade. Assusta pelo nome, mas a maior parte dos casos melhora sem cirurgia — desde que o diagnóstico esteja certo e o tratamento comece cedo.

Também chamada de ciáticaLombociatalgiaNíveis L4–L5 e L5–S1
Ressonância magnética da coluna lombar, corte sagital

À esquerda, o mapa da coluna com a região cervical e lombar em destaque. À direita, um corte sagital da coluna lombar: dá para ver os discos entre as vértebras e o canal por onde passam os nervos.

Emergência. Perda de força na perna ou no braço que apareceu de repente, dormência entre as pernas, ou dificuldade para segurar a urina. Vá agora a um pronto-socorro — não espere consulta marcada nem resposta de mensagem.

IComo você sente

Não é preciso somar sintomas. Um sinal isolado — principalmente fraqueza — já é motivo para marcar.

Dor que desce pela perna

Passa pela nádega, pela coxa e pode chegar ao pé. Costuma incomodar mais do que a própria dor lombar.

Piora ao sentar e ao tossir

Sentar aumenta a pressão dentro do disco. Tossir e espirrar dão aquele choque característico.

Formigamento ou dormência

Numa faixa específica da perna ou do pé — e essa faixa aponta qual raiz nervosa está comprimida.

Dificuldade para esticar a perna

Deitado, levantar a perna esticada reproduz a dor. É um dos testes que eu faço na consulta.

Fraqueza no pé ou no tornozelo

Tropeçar, chinelo que escapa, dificuldade de ficar na ponta do pé. Isso muda a conduta e não deve esperar.

Alívio ao deitar ou ao andar

O padrão de alívio informa tanto quanto o de dor, e ajuda a separar hérnia de estenose de canal.

IIO que acontece lá dentro

Entre uma vértebra e outra existe um amortecedor: anel resistente por fora, núcleo gelatinoso por dentro. Quando o anel rasga, o núcleo escapa.

Protrusão

O anel abaula

O núcleo se desloca e empurra o anel na direção da raiz nervosa, sem rompê-lo. A dor já pode descer pela perna, mas é o cenário que mais responde ao tratamento conservador.

Material ainda contido pelo anel

Extrusão

O núcleo escapa

O material rompe o anel e passa a comprimir a raiz diretamente. Paradoxalmente, é o tipo que o corpo mais costuma reabsorver sozinho — e também o que mais cursa com perda de força.

Material atravessou o anel

Sequestro

O fragmento se solta

Um pedaço se desprende do disco e fica solto no canal. Costuma doer muito no início e é o cenário em que a avaliação precisa ser rápida, pela chance de compressão importante.

Fragmento livre dentro do canal

A barra mostra o quanto o material do disco saiu do lugar — não o quanto dói. Hérnia grande pode doer pouco, e hérnia pequena bem posicionada sobre a raiz pode ser incapacitante. Quem manda é o exame clínico.

IIIO caminho do tratamento

Com uma exceção: havendo perda de força ou sinal de cauda equina, a cirurgia deixa de ser o último degrau e passa a ser o primeiro.
I

Controlar a dor e manter você em movimento

Primeiras semanas

Analgesia bem ajustada, fisioterapia orientada e retorno gradual à atividade. Repouso absoluto prolongado atrasa a recuperação — o corpo precisa se mexer para reabsorver o material do disco.

II

Bloqueio guiado por imagem na raiz certa

Quando a dor persiste, sem perda de força

Além de aliviar, o bloqueio confirma qual raiz é a responsável pela dor. É uma informação que vale ouro se a cirurgia entrar em pauta depois.

III

Microdiscectomia: retirar o fragmento que comprime

Perda de força, dor que não cedeu, ou cauda equina

Incisão pequena, microscópio, musculatura preservada. Retira-se o fragmento que está sobre a raiz — e só ele. Na cauda equina, entra de imediato.

Dr. Elson Shockness sorrindo, de camisa xadrez, ao lado da janela do consultório

O que decide a cirurgia

Não é o tamanho da hérnia no laudo. É perda de força, dor que não cede ao tratamento bem feito, e a coerência entre o que a imagem mostra e o que o exame físico encontra.

Recuperação

Tempo de internação e de retorno às atividades variam muito com o procedimento e com o seu caso. Na consulta eu explico o prazo real do seu caso — inclusive quando ele for longo.

IVSobre hérnia, especificamente

Uma parte das hérnias é reabsorvida pelo próprio corpo com o tempo, e curiosamente as maiores costumam ter mais chance disso. Isso não significa esperar indefinidamente: o que define quanto vale esperar é a evolução dos seus sintomas, não a imagem.

Marque uma avaliação e traga os exames que já tem. Se não tiver nenhum, venha assim mesmo — o exame clínico é o que define qual imagem vale a pena pedir.

O WhatsApp serve para marcar consulta. Ele não é canal de urgência e não é atendido fora do horário comercial — em emergência, procure um pronto-socorro.

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